Bolsonaro
não oferece risco à democracia
Francisco
Demontiê Gonçalves Macedo.
Servidor Público Federal. Graduado e pós-graduado em Direito.
Segundo
mostram os números das pesquisas eleitorais, a realidade das ruas e das redes
sociais, o povo brasileiro está prestes a eleger, democraticamente, o capitão
reformado do Exército Jair Messias Bolsonaro presidente da República, que tem
como vice o general da reserva Antônio Hamilton Martins Mourão, também do
Exército.
Nos
Estados Unidos, que são a maior democracia do mundo, isso é muito mais comum, tendo
em vista que, dos seus 44 presidentes, 36 tiveram relações com o militarismo.
Seja
simplesmente por se tratar de pessoas oriundas do meio militar, seja pelas
declarações que já expressam, de apoio ao regime militar e de críticas ao
regime democrático, seja, ainda, devido à proximidade temporal com o regime
militar, o fato é que a chapa oposicionista costuma, até mesmo como uma
estratégia de campanha para atacar os adversários, associar os nomes de
Bolsonaro e Mourão ao regime fascista (anti-democrático), e os colocar como uma
ameaça à jovem democracia brasileira, sem falar nas críticas de cunho racista,
homofóbico (aversão a homossexuais) e misógino (aversão a meninas e mulheres)
que são feitas especificamente ao Bolsonaro.
A
Constituição de 1988 (a lei maior do País), ao reimplantar o regime
democrático, interrompido em 1964, já procurou dotar o Estado e a sociedade de
mecanismos jurídicos de proteção à democracia e contra o racismo, mediante a
criminalização dessas condutas, as quais são agravadas com a
imprescritibilidade (o crime não caduca) e a inafiançabilidade (não admite
fiança).
A propósito,
a Lei de Segurança Nacional em vigor prevê, como crime, a conduta de tentar
mudar, com emprego de violência ou grave ameaça, a ordem, o regime vigente ou o
Estado de Direito, que poderá resultar em pena de até 15 anos de reclusão
(cadeia). De igual modo, a Lei contra o racismo pune os culpados com penas que
podem atingir 5 anos de prisão.
Desse modo,
não se mostra crível que o Bolsonaro, ou qualquer outra pessoa em sã
consciência, intente chegar à presidência com o intuito de realizar essas
práticas delituosas, dadas as gravíssimas consequências penais que delas podem
advir.
É sabido,
ademais, que num Estado de Direito, como é o nosso caso, todas as pessoas,
físicas ou jurídicas, estão submetidas ao império das leis. Essas leis, diga-se
de passagem, são criadas pelo próprio povo, diretamente ou através de seus
representantes legais, como uma decorrência do Estado Democrático que também
vige em nossa sociedade.
Assim,
não é porque o Bolsonaro e Mourão serão eleitos presidente e vice-presidente da
República, que eles estão livres para fazer o que quiserem, não!
Some-se a
tudo isso o fato de que as instituições brasileiras vêm adquirindo um grau de
maturidade tal, capaz de fazer frente a eventuais investidas anti-democráticas,
como vêm demonstrando as investigações, os processos judiciais e as prisões de
ex-presidentes da República e da Câmara dos Deputados, ex-governadores,
ex-senadores, ex-deputados federais, e uma série de investigações que há contra
a pessoa que ocupa o cargo de presidente atualmente.
Em suma,
salvo por intriga da oposição, própria das campanhas eleitorais no Brasil, não
se mostra nenhum pouco crível que o simples fato de dois ex-militares estarem sendo
eleitos para comandar o Poder Executivo, isso possa significar que o povo brasileiro
esteja colocando a democracia em risco.
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